'Dia da Libertação': governo Trump anuncia diversas tarifas recíprocas; Brasil é alvo

O Presidente dos EUA, Donald Trump (Foto: EFE/EPA/JIM LO SCALZO / POOL)

"Meus compatriotas, este é o 'dia da libertação' — 2 de abril de 2025 será para sempre lembrado como o dia em que a indústria americana renasceu"

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (2) a adoção de uma série de tarifas recíprocas contra diversos países, em um pacote batizado por ele como a "Declaração de Independência Econômica" do território norte-americano. A medida foi formalizada durante pronunciamento no jardim da Casa Branca. Trump classificou o momento como "histórico".

"Meus compatriotas, este é o 'dia da libertação' — 2 de abril de 2025 será para sempre lembrado como o dia em que a indústria americana renasceu, o dia em que o destino da América foi recuperado e o dia em que começamos a tornar os Estados Unidos ricos novamente", declarou Trump diante de apoiadores e membros do governo.

A medida anunciada por Trump institui tarifas mínimas de 10% sobre praticamente todos os produtos importados pelos EUA, além de taxas mais elevadas sobre os países com maior desequilíbrio comercial com o país. O Brasil está entre os alvos diretos da nova política.

De acordo com a Casa Branca, o objetivo é restaurar o equilíbrio comercial e reerguer a base industrial americana, que, segundo Trump, foi "devastada" por acordos injustos e barreiras tarifárias impostas por outros países.

"Por décadas, os Estados Unidos reduziram nossas barreiras comerciais enquanto outras nações impuseram tarifas massivas sobre nossos produtos e criaram barreiras absurdas para destruir nossas indústrias... Tudo isso aconteceu sem resposta dos Estados Unidos", afirmou.

Entre as medidas mais contundentes está a imposição de uma tarifa de 25% sobre todos os automóveis fabricados fora dos EUA, que entrará em vigor à meia-noite desta quarta-feira. Segundo Trump, o setor automotivo é um dos mais afetados pela política desigual de comércio internacional.

"Nenhuma das nossas empresas consegue entrar em outros países. E digo isso sobre amigos e inimigos — e, em muitos casos, o amigo é pior do que o inimigo em termos de comércio", disse.

Trump declarou uma emergência econômica nacional, para lhe dar amplos poderes para aplicar as tarifas.

O governo americano divulgou depois do anúncio uma lista com nomes de 184 países e territórios e da União Europeia, com as tarifas básicas que cobram dos Estados Unidos e as que os americanos agora cobrarão deles. Em alguns casos, como do Brasil e do Reino Unido, a taxa é igual nas duas colunas (10%). Em casos mais extremos, como da China, a porcentagem a ser cobrada será metade da do outro país (67% a 34%).

A Casa Branca publicou no X uma série de exemplos de disparidades: enquanto os EUA cobram apenas 2,5% sobre veículos de passageiros, a União Europeia aplica 10% e a Índia, 70%. Produtos como maçãs, etanol, arroz com casca e equipamentos eletrônicos entram nessa lista de desequilíbrios que, segundo o governo Trump, prejudicam a economia americana há décadas.

"Nosso país e seus contribuintes foram saqueados por cinquenta anos, mas isso não vai mais acontecer", afirmou o presidente. "Em alguns instantes, assinarei uma ordem executiva histórica instituindo tarifas recíprocas."

No pronunciamento, Trump disse que os recursos arrecadados com as tarifas serão usados para reduzir impostos e pagar a dívida nacional. A medida também busca atrair de volta indústrias e empregos para solo americano.

"Trabalhos e empresas voltarão ao nosso país, quebraremos barreiras comerciais", declarou Trump.

Os novos índices tarifários atingem com maior severidade países como Vietnã (46%), Camboja (49%), China (34%), Índia (26%), Tailândia (36%), Indonésia (32%), Suíça (31%), entre outros. O Brasil, neste momento, foi incluído com uma tarifa de 10% — o que já coloca o país sob regime de punição comercial.

Para Trump, os responsáveis por esse cenário não são os países estrangeiros, mas os líderes americanos do passado. "Não culpo outros países por essa calamidade. Culpo ex-presidentes e líderes do passado que não fizeram seu trabalho. Eles deixaram isso acontecer, e deixaram acontecer em um nível que ninguém consegue acreditar."

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